Política

Após um ano de restrição ao uso de celular, escolas relatam menos distração e mais interação

04 de março de 2026 às 00:00
Após um ano de restrição ao uso de celular, escolas relatam menos distração e mais interação
Em um ano de restrição ao uso de celulares nas escolas brasileiras, gestores e professores observam mais atenção dos alunos às aulas e crescimento das interações presenciais no ambiente escolar. Dados de um levantamento da Frente Parlamentar Mista da Educação com oEquidade.infomostram que mais de 80 % dos estudantes afirmam estar mais concentrados sem os aparelhos, com melhora ainda maior no Ensino Fundamental I, onde 88 % relatam maior foco nas explicações. Professores e gestores também percebem redução de interrupções e maior sociabilidade entre estudantes. A mudança decorre da aplicação da Lei Federal nº 15.100/2025, que passou a limitar o uso espontâneo de celulares durante o período letivo, reservando o aparelho para atividades pedagógicas supervisionadas, acessos de acessibilidade ou em situações específicas de saúde e comunicação, conforme previsto no texto legal. Diretores de escolas em Uberlândia afirmam que o ambiente de sala de aula ficou menos competitivo com notificações e redes sociais. “Antes, os celulares tiravam o foco de muitos estudantes. Hoje há mais contato olho no olho, menos dispersão e mais respeito ao momento da aprendizagem”, disse um gestor da rede municipal. Além do desempenho acadêmico, a convivência dos alunos mudou. Educadores relatam que nos intervalos e recreios surgiram rodas de conversa, leitura de livros e brincadeiras mais coletivas, substituindo o isolamento diante de telas. “Alunos que antes ficavam no seu mundinho agora interagem bem na hora do lanche”, contou uma diretora de escola particular. O levantamento também aponta reflexos no ambiente escolar: 77 % dos gestores e 65 % dos professores perceberam queda no bullying virtual. Embora apenas 41 % dos estudantes tenham notado essa redução, a diferença pode indicar subnotificação de casos ou uma percepção distinta entre faixas etárias. Nem tudo é consenso. Parte dos estudantes relatou aumento de tédio durante os intervalos e professores observaram maior ansiedade em alguns alunos diante da ausência dos aparelhos. Mesmo assim, educadores consideram que os efeitos positivos superam os desafios, sobretudo quando a escola alia a restrição com orientação sobre uso equilibrado da tecnologia. Escolas também têm inovado para integrar tecnologia sem usar o celular pessoal. Algumas unidades disponibilizam tablets e notebooks, ou liberam o uso de celulares apenas para atividades em plataformas digitais sob supervisão.

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