Política
Deputado que viveu no Triângulo Mineiro é alvo da PF: origem de R$ 430 mil apreendidos ainda levanta dúvidas
24 de janeiro de 2026 às 00:00

O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), atual líder do partido na Câmara, é alvo de uma investigação da Polícia Federal, após a apreensão de R$ 430 mil em dinheiro vivo em seu apartamento em Brasília, no dia 19 de dezembro.
Nascido em Alagoas, Sóstenes viveu por muitos anos no Triângulo Mineiro, onde mantém laços familiares e vínculos regionais. O parlamentar afirma que a quantia encontrada seria fruto da venda de um imóvel na cidade de Ituiutaba (MG), realizada por R$ 500 mil em espécie. No entanto, a escritura só foi registrada no dia 30 de dezembro, 11 dias após a ação da PF.
O deputado afirma que a venda foi firmada em 24 de novembro, por meio de contrato particular, o qual previa assinatura da escritura até o fim do ano. O documento mencionado, porém, não foi apresentado ao cartório no momento da lavratura.
O comprador do imóvel é o advogado Thiago de Paula, com atuação em Ituiutaba, Uberlândia (MG) e Barueri (SP). Ele não respondeu aos contatos da reportagem da Folha de S.Paulo.
A venda teve uma valorização de 78% em relação ao valor pago por Sóstenes no início de 2023, segundo a escritura. O deputado diz que investiu em uma reforma e que a casa chegou a ser anunciada por R$ 690 mil.
Curiosamente, o imposto de transmissão não foi recolhido previamente, e algumas certidões fiscais e judiciais foram dispensadas no ato da escritura — medidas incomuns nesse tipo de transação.
Segundo Sóstenes, o dinheiro foi entregue em Brasília por um funcionário do comprador. Ele justifica a operação em espécie como prática comum em cidades do interior, alegando que o uso de dinheiro vivo é recorrente em negociações locais, inclusive para obtenção de descontos.
À época de sua candidatura em 2022, o deputado havia declarado um patrimônio modesto, de cerca de R$ 5 mil. Alega que fez um empréstimo consignado para adquirir o imóvel, como forma de ajudar familiares residentes em Ituiutaba e Uberlândia.
A operação em que o valor foi apreendido é parte de um inquérito que investiga suspeitas de desvio de recursos da cota parlamentar, como aluguel de veículos pagos por meio de empresa dissolvida irregularmente. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo da ação. Ambos negam qualquer irregularidade.
Por: Redação Fato Uberlândia
Com informações da matéria original publicada na Folha de S.Paulo, por Ítalo Nogueira (17/01/2026)
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