O cenário político do Partido Liberal (PL) em Minas Gerais já demonstra sinais de desgaste antecipado para as eleições de 2026. Concentrando grande parte do eleitorado bolsonarista no estado, o partido enfrenta um problema que não vem da oposição, mas de dentro de casa: a disputa direta por votos entre seus próprios candidatos.
No centro desse tabuleiro está o deputado federal Nikolas Ferreira, hoje o principal puxador de votos da legenda. Com forte presença digital e alto reconhecimento, sua candidatura tende a concentrar grande parte do eleitorado de direita, dificultando o crescimento de outros nomes do partido, especialmente no interior.
É o caso do deputado estadual Cristiano Caporezzo, com base em Uberlândia, que chegou a ser cogitado para o Senado, mas foi descartado pela cúpula do partido. Agora, a movimentação aponta para uma candidatura à Câmara Federal, em dobradinha com o vice-prefeito Vanderlei Pelizer, numa tentativa de fortalecer o eixo regional.
Ainda assim, o cenário não é simples. Além da concorrência direta com Nikolas, nomes como Zé Vitor e Greyce Elias, que possuem capital político consolidado, também disputam espaço dentro da mesma base eleitoral. O risco de “canibalização de votos” dentro do PL é evidente.
Outro fator que gera desgaste é o perfil de algumas lideranças locais. O próprio vice-prefeito, cotado para disputar vaga na Assembleia, já se envolveu em episódios polêmicos, como abordagens a pessoas em situação de rua, o que levanta questionamentos sobre prioridades e sensibilidade social.
Nos bastidores, o que se vê é um partido dividido, com diferentes alas disputando protagonismo e estratégias distintas. Para o eleitor, porém, a expectativa é mais simples: menos disputa interna e mais clareza sobre propostas concretas para a região.
Se não houver alinhamento, o PL corre o risco de sair das urnas menor do que entrou. Não por falta de votos, mas pela dificuldade de organizá-los.
Da redação.
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