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Guerra no Oriente Médio acende alerta para o milho no Triângulo Mineiro
11 de março de 2026 às 00:00

O prolongamento do conflito no Oriente Médio pode provocar reflexos no mercado de milho do Brasil e atingir indiretamente o agronegócio do Triângulo Mineiro. A tensão envolvendo o Irã, um dos principais compradores do cereal brasileiro, pode reduzir exportações e pressionar o mercado interno, com possível queda de preços e aumento no custo de produção agrícola.
Segundo análise do especialista em gestão de riscos de grãos Conrado Zanon, CEO da consultoria Geminare, o Irã representa uma parcela relevante das compras de milho do Brasil. No ano passado, o país importou cerca de9 milhões de toneladas do grão brasileiro, o que corresponde a23,1% das exportações nacionais, com movimentação de aproximadamenteUS$ 2 bilhõesno comércio bilateral.
Nos últimos cinco anos, o Irã esteve entre os três maiores importadores de milho do Brasil em quatro deles. A média de participação do país nas exportações brasileiras gira em torno de14% do total embarcado, o que mostra o peso desse mercado para o setor agrícola nacional.
Apesar da importância desse comércio internacional, o impacto direto no Triângulo Mineiro tende a ser menor. A região produz entre2,4 e 2,7 milhões de toneladas de milho por ano, cerca de40% da produção de Minas Gerais, mas grande parte da produção tem destino interno.
Mesmo assim, especialistas apontam que efeitos indiretos podem ocorrer. Caso as exportações brasileiras diminuam por causa da guerra, parte do milho que seria enviado ao exterior pode permanecer no país. Esse aumento da oferta no mercado doméstico pode pressionar os preços para baixo, o que afetaria produtores da região.
Outro fator de preocupação envolve o fornecimento global de fertilizantes. O Estreito de Ormuz, rota estratégica ameaçada pelo conflito, concentra o transporte internacional de insumos agrícolas. Estima-se que o canal movimente entre50 e 60 milhões de toneladas de fertilizantes por ano, cerca deum terço do comércio global de produtos como ureia, amônia e fosfato.
Caso ocorram dificuldades logísticas nessa região, o acesso a fertilizantes pode ficar mais caro ou limitado, o que elevaria os custos de produção agrícola no Brasil.
Por outro lado, especialistas avaliam que o cenário também pode abrir oportunidades para o país no comércio internacional. Se o aumento do preço dos fertilizantes influenciar decisões de plantio nos Estados Unidos, produtores norte-americanos podem optar por culturas que demandem menos insumos, como a soja. Essa mudança poderia reduzir a área dedicada ao milho no país e abrir espaço para maior participação brasileira no mercado global.
Diante desse quadro, o impacto final dependerá da duração do conflito e de seus desdobramentos no comércio internacional de grãos e insumos agrícolas.
Fonte: Paranaíba Mais
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