Política
Javali vira problema político, ambiental e econômico em Minas
12 de fevereiro de 2026 às 00:00

O avanço do javali no Triângulo Mineiro e em outras regiões de Minas Gerais entrou no radar político e passou a mobilizar parlamentares, produtores e entidades do agronegócio. O deputado estadual Leonídio Bouças classificou a situação como uma ameaça silenciosa ao meio ambiente, à economia rural e à segurança da população, além de cobrar medidas mais efetivas do poder público.
Segundo o parlamentar, o animal não pertence à fauna brasileira e já provoca danos relevantes. Há registros de destruição de lavouras e nascentes, além de riscos diretos à população. Estudos citados por Bouças indicam que um único javali pode comprometer dezenas de nascentes e afetar áreas inteiras de produção agrícola.
No Triângulo Mineiro, produtores relatam perdas expressivas nas lavouras de milho e soja, sobretudo em propriedades próximas a matas e cursos d’água. O cenário reforça a preocupação com o agronegócio, setor estratégico para Minas e fundamental para cidades como Uberlândia, que dependem da cadeia produtiva rural.
O impacto também alcança as estradas. O deputado alertou para o aumento de acidentes envolvendo javalis e javaporcos, com risco real para motoristas. Ele citou dados de São Paulo, onde ocorreram centenas de ocorrências em um único ano, e afirmou que a realidade mineira segue a mesma tendência.
Bouças criticou ainda o tratamento dado a produtores rurais e controladores da espécie. Para ele, quem tenta conter o avanço dos animais enfrenta multas e repressão em vez de apoio institucional. O deputado defendeu políticas públicas mais claras e lembrou exemplos internacionais, como o da Flórida, nos Estados Unidos, onde o controle de espécies invasoras recebe remuneração do Estado.
O tema já foi discutido em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, mas, na avaliação do parlamentar, a ausência de uma política consistente pode agravar o problema. “Se nada for feito, o impacto ambiental e econômico será irreversível. Estamos falando de água, comida e segurança”, afirmou.
Antes restrita ao campo técnico, a discussão agora ganha peso político e passa a integrar a agenda do desenvolvimento econômico e da segurança rural. Nos bastidores, o avanço do javali já mobiliza diferentes atores preocupados com os efeitos de médio e longo prazo.
Fonte: Regionalzão, coluna Poder, por Adelino Júnior.
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