Política
Zema renuncia ao governo de Minas e deixa cenário fiscal desafiador
23 de março de 2026 às 00:00

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciou neste domingo (22) sua renúncia ao cargo para disputar as eleições presidenciais de 2026. A saída antecipa o fim de seu mandato e transfere o comando do Estado ao vice, Mateus Simões (PSD), em meio a um cenário fiscal considerado delicado por analistas e setores da oposição.
De acordo com dados oficiais divulgados por veículos como Estado de Minas e Itatiaia, Minas encerrou 2025 com uma dívida pública superior a R$ 200 bilhões, sendo a maior parte — cerca de 88% — concentrada em débitos com a União. O valor supera, inclusive, a arrecadação anual prevista do Estado, o que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade das contas públicas no médio e longo prazo.
Outro ponto que tem sido alvo de críticas é o volume de renúncias fiscais concedidas durante a gestão. Levantamentos indicam que os benefícios tributários podem ultrapassar R$ 120 bilhões ao longo dos anos de governo, com valores acima do inicialmente previsto. Para críticos, a política pode ter reduzido a capacidade de arrecadação do Estado em um momento de pressão fiscal.
Zema, por sua vez, defendeu sua gestão durante o discurso de despedida, afirmando que promoveu ajustes importantes nas contas públicas e que agora pretende “levar essa experiência para o Brasil”, conforme publicado pela IstoÉ. O ex-governador também fez críticas ao governo federal e reforçou seu posicionamento político no cenário nacional.
Apesar disso, especialistas apontam que Minas continuará enfrentando desafios significativos, como o pagamento da dívida com a União, atrasos com fornecedores e a necessidade de equilíbrio orçamentário. O novo governador terá a missão de lidar com um cenário de restrição fiscal e pressão por investimentos em áreas essenciais.
A renúncia de Zema marca o início de um novo ciclo político em Minas Gerais, mas também deixa em aberto o futuro financeiro do Estado, que deverá conviver por anos com os impactos das decisões fiscais recentes.
Por Hamilton Rocha.
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